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Existe Moda Sustentável sem Consumo Consciente?

A área de confecção e vestuário acompanha diretamente a necessidade de consumo das gerações que seguem durante os anos. Considerando a crescente estratégica do que conhecemos como "fast fashion" na década de 90 e a evolução dos meios de comunicação nos anos 2000, as marcas e empresas da área da moda sentem a urgência e necessidade de uma produção cada vez maior e em menor tempo.


O desenvolvimento rápido e divulgação instantânea de "coleções" faz com que itens "fashionistas" tenham tempo de uso escasso. O que hoje, com a disseminação de conhecimento e informações, compreendemos que têm relação direta com o meio ambiente e em pautas expostas na Agenda 2030 (principalmente ligados aos ODS 8,9,11 e 12). Desde o processo do plantio de matéria-prima à chegada ao consumidor final, foi construído um olhar analítico sobre como "sustentabilizar" a moda.


De acordo com os dados colhidos pela ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) a moda é um dos setores que mais empregam no país, sendo a indústria têxtil responsável pelo emprego de 8 milhões de pessoas, seja direta ou indiretamente. Porém, a terceirização do trabalho e o uso de materiais "perecíveis" são agravantes para que o setor da moda impacte diretamente a Agenda 2030 e o desenvolvimento sustentável. Entre janeiro de 2003 e junho de 2018, a costura ocupou o terceiro dentre as ocupações que mais tiveram mulheres resgatadas em situação de trabalho desregularizado.


A partir dessa narrativa, a reinvenção da cadeia produtiva na área de confecção fez com que inúmeras empresas e projetos tragam uma nova forma de se produzir peças, que tem como diferencial sua durabilidade e aplicabilidade dentro do guarda-roupa. Ou seja, passaram a investir em peças que são criadas para durar e serem utilizadas de maneiras diferentes no passar dos anos. Porém, mesmo com a conscientização e desenvolvimento de novas tecnologias, notícias como a crescente desenfreada do cemitério de roupas no deserto do Atacama, no Chile, que hoje é local de descarte de 59 mil toneladas de roupas dos Estados Unidos, Europa e Ásia, nos faz refletir, se realmente existe moda sustentável sem consumo consciente. De acordo com dados do estudo Fios da Moda conduzido pelo Instituto Modefica e FGV, apenas no Brasil, são produzidas quase 9 bilhões de novas peças por ano, produto que mais cedo ou mais tarde será lixo têxtil.


A internacionalização do problema gera avanços como a participação de 131 empresas de moda e 43 apoiadores na COP26 e sua colaboração na construção de um documento com foco em ações para contenção do aquecimento global. O que se caracteriza como uma tentativa para que cadeias produtivas se alinhem às metas do Acordo de Paris, sendo esse apenas o começo para que o setor privado e produtivo seja parceiro no investimento capital e intelectual para as metas de desenvolvimento sustentável até o ano de 2030.

Mesmo aquelas que investem tempo e planejamento para uma cadeia produtiva sustentável enfrentam pressões de inovação e adequação às tendências lançadas, e por isso, a apresentação de novos materiais são feitos com uma frequência maior que a esperada para uma moda cíclica e reutilizável. Em contrapartida, os consumidores também sentem a pressão de sempre se atualizar e estar dentro daquilo que frequentemente é desenvolvido. Assim, mesmo com a renovação dos modos de produção, só é possível o desenvolvimento de uma "moda sustentável" se ela for baseada em um consumo consciente.

E a materialização dessa nossa forma de consumir é construir escolhas baseadas em pesquisas e na valorização de cadeias produtivas positivas, daquelas que impactam o futuro que você anseia. Um exemplo prático corresponde a compra de itens que utilizam de produtos químicos corrosivos ao meio ambiente em prol de estética ou de tecidos sintéticos desenvolvidos através de derivados de petróleo, que afeta negativamente o solo, água e até mesmo a cadeia alimentar por sofrerem com descartes irregulares.

1- ABIT, Perfil do setor, disponível em : https://www.abit.org.br/cont/perfil-do-setor 15 de dezembro de 2021

2- Dados da Subsecretaria da Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia sistematizados pela Repórter Brasil (janeiro de 2003 a junho de 2018)

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